quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A minha primeira semana na Casa Emanuel

Vou tentar em breves linhas escrever o que fiz na semana passada, no entanto será impossível escrever tudo, até porque não vos quero cansar. Mas tenho que partilhar esta minha experiência que de facto é ÚNICA.

Apesar de ser um orfanato, estes meninos vivem com alegria, melhor que muitos lá fora. É “dura” a realidade e muitas das hitórias são tristes. Mas não deixa de ser um encanto de realidade... Tenho aprendido e crescido.

Para quem já me conhece sabem como sou racional pelo que também há coisas aqui que não consigo entender mas que estou a estudar aos poucos e certamente encontrarei a resposta.

SÁBADO, 1 AGOSTO 2009

Cheguei aqui no dia 1 de Agosto pelas 3h da manhã. Foram buscar-me ao aeroporto o Carlos e o Henrique (ambos Pastores da Igreja Evangélica que estão em missão com as respectivas mulheres a Ana e a Rose). Fiquei num edifício que é para os voluntários, parece que estava a entrar num filme, rede mosquiteira e uma vela! Senti-me bem apesar do cansaço e do calor. Acordei bem cedo, pelas 6h40, com as crianças a falar, gritar, cantar. Pouco dormi. Percebi que não tinha relógio, pensei que grandes Férias, nem relógio tenho!

Como podem imaginar mais do que o sono era a curiosidade de ver 150 meninos, que sonho! Quando saí na porta, que dá para o pátio, sem saberem quem eu era corriam na minha direcção, alguns meninos, de braços abertos e um sorriso único. Baixei-me tentei a abraçar a maioria, de igual forma, tive uma satisfação gigante.

Nas primeiras horas, senti-me um pouco perdida sem saber que fazer pois nestes locais há regulamentos e nada explicaram. Quem me conhece sabe que onde estão crianças estou “no mar como um peixe”, pelo que passou-me rápido. Conheci as responsáveis do Orfanato a Isabel e a Eugénia. São as duas missionárias da Igreja Evangélica.

Havia crianças por todos os lados com vários feitios e comportamentos, algumas fora do que estou habituada. Ver crianças com determinadas deficiências motoras e físicas é muito duro. Confesso que inicialmente “fugi” e por momentos evitei, faltou-me o estômago...No entanto, não há hipóteses, eles são muitos mais e muito rápidamente fui “obrigada” a aceitar cada um entrando no meio, acompanhando cada menino que se aproximava.
Estavam cá quatro espanholas (partiram neste Domingo dia 9), também voluntárias, com quem fui passear 18 meninos com cerca de 3 anos. Tudo para dentro de um Jeep...Surreal, ali fomos ao centro de Bissaú. Dois deles não me largavam a mão: o Djojo e o Ruben. A cidade era o que imaginava: pobre, desordenada e suja, pelo que nada me surpreendeu! Primeiro almoço: nem queria acreditar na pontaria, foi arroz com lentilhas. Lentilhas a única coisa que não aprecio e nunca como. Calei-me e comi, a verdade é que fui repetir e já comi mais vezes esta semana! Será que aprendi a gostar de lentilhas...

Após almoço decidi ir descansar pois estava exausta, no entanto, não resisti ao “reboliço” das crianças e fui brincar com elas. Reportaram-ne até à minha infância: jogar à macaca, ao mata, com panelinhas, ao berlinde... Brinquei a tarde toda, nem dei pelas horas a passar.
Por volta das 17h começam os banhos das crianças e os primeiros jantares a ser servidos. Não há explicação para o que vi em tão poucas horas. Pelas 20h recolhi e vim escrever o que rápidamente concluí. Optei pelas melhores férias! Todos os dias escrevo num bloco, que a minha irmã Teresa ofereceu, aquilo que aconteceu durante o meu dia. Obrigada Teté!

2 comentários:

  1. Excepcional, "Miúda" da minha Vida :-) É com alegria que leio as tuas palavras... Que alívio saber que estás verdadeiramente "contente"... Adorei a parte de 18 meninos todos no Jeep... como tu dizes "surreal", mas possível...

    Um grande beijinho mana!

    Teresa

    ResponderEliminar
  2. Cá pra mim esse bloco vai ser pequeno para tanta "estória", tanta emoção e felicidade!!

    Força amiga... nós queremos saber tudinho de ti e desses meninos.
    Um abraço especial às duas senhoras responsáveis e todos aqueles que até hoje têm ajudado essas crianças a crescer... mais felizes!

    ResponderEliminar